Dia 252.
São quase duas da manhã e eu permaneço acordado. Sozinho. Apenas olhando para a escuridão que se tornou o quarto, com medo de acender a luz e ter que me deparar comigo mesmo ao espelho. Minha mente está tão barulhenta que nem mesmo o silencio do lugar foi capaz de acalmá-la, o motivo de tudo isso? Você.
Hoje fazem exatos 252 dias que tudo se transformou em nada, que planos viraram pó e sonhos se transformaram em passado, eu sei que é muito tempo para se recordar isso mas o que fazer quando não se consegue esquecer? O que fazer com um coração cheio de angustia, de mágoa, de tristeza? O que fazer com essa dor que insiste em permanecer latejando, latejando, latejando...sem fim ou qualquer menção de desaparecer? Acredite ou não eu bem que gostaria de saber a respostas para todas essas perguntas, talvez eu estivesse dormindo nesse momento ao invés de fitar um teto escuro.
Sabe, posso ate imaginar o que iria me dizer se me visse assim, ao fechar os olhos posso ouvir sua voz ecoando pelo minha mente "não acredito que ainda não superou tudo" bem não sei se isso chega a ser um caso de superação, apenas me deixei afogar em mim.
Já sentiu como se estivesse se afogando? Mas não em lago ou rio qualquer, se afogando dentro de si, dentro de tudo aquilo que optou por guardar, já sentiu? Então me diga, como conseguiu se salvar. Há tempos venho fazendo de mim um tonel daqueles que se enche aos poucos de profundidade imensurável e de uma escuridão infinita, então um belo dia me perdi e me afoguei dentro de mim.
No trajeto me deparei com palavras que deveriam ter sido ditas mas que eu apenas optei por não proferi, jamais, afinal qualquer uma delas ia contra minha criação, ao que minha mãe sempre me ensinou. Me deparei com gritos mudos ecoando pela mente sem sessar, percebi o quão barulhento era meu interior enquanto minha boca permanecia fechada, a escuridão apenas foi tomando conta enquanto eu me deixava afundar. Amanhã sei que será um novo dia e que estarei sorrindo, mas você me conhece e nada mais faz sentido, no fundo menina...ainda dói.













