Mês passado, andando em uma feira de livros encontrei um romance policial que me chamou atenção: pela capa, pela crítica: "Certeiro feito uma bala perdida. Um retrato arrasador da cidade do Rio de Janeiro" e pelo preço. Resolvi arriscar, pois conheço algumas crônicas do autor e sei que ele foi um dos mais importantes cronistas do país. Então vamos lá!

Título: Terror e êxtase
Autor: José Carlos de Oliveira
Páginas: 126
Editora: Eudioro
SINOPSE: A obra gira em torno de Heleninha, cocotinha de Ipanema, 17 anos, que segue ao lado do temido bandido 1001, ladrão e assassino criado na Baixada Fluminense. Com um tresoitão na cintura e comparsas: Tatuzinho, Boca Torta e Minhoquinha, 1001 aterroriza a zona sul do Rio de Janeiro e só faz aumentar a paixão que Heleninha sente por ele. Entre Beatles, Janis Joplin, uísque, baseados, pó e muita crueldadem José Carlos Oliveira retrata em ritmo alucinante a criminalidade e o desbunde da dita "Cidade Maravilhosa" na década de 1970.




É inegável que, a obra de leitura fácil e instigante teve o valor merecido. Vendeu 20 mil exemplares e teve quatro edições, além de chocar a alta sociedade carioca na época, desmistificando a "cidade maravilhosa". 
Quem narra o primeiro capítulo é dona Adelina, idosa moradora de Copacabana e que vai ser a primeira vítima do bandido 1001( que tem esse apelido por causa de dois dentes que faltam na arcada superior, exceto quando usa dentes de ouro.) Ela faz algumas observações sobre a sua vida, que não foi lá muito interessante e já temos o primeiro choque: a personagem narrando como é ser alvejada pelo bandido ao receber três tiros, quando isso acontece.  A partir daí, quem assume a narrativa é Heleninha, menina rica que foge dos padrões impostos na época e de sua família, além de ser dependente química. A jovem conhece, e se apaixona pelo bandido e a história se desenrola no envolvimento entre os dois. Envolvimento esse que é dubiamente constestado por ambos em toda a história.
Conhecemos outros personagens como: a mãe de Helena e seu amante, os comparsas de 1001, o pai do amigo de Helena, Dr. Palmeira, o jornalista Joaquim Maria, Elvira e seus filhos e  o amigo de Heleninha, Betinho, jovem também rico, filho de empresário e que fora um ex-jornalista e que segundo a jovem "(...)andava numa trip diferente, viajando por outras galáxias(...)"
Betinho para mim, é o personagem mais bem construído pelo autor. Sabemos no decorrer da história, a vida que Heleninha tinha e a vida que o bandido tinha. Já a vida de Betinho, e toda sua atual fase, as insanidades, a droga consumindo seu corpo, a paixão pela Literatura (chegando inclusive a citar Fernando Pessoa) foram construções em que José Carlos acertou em cheio. Em alguns pontos, o narrador passa a ser ora o 1001, ora Betinho, o que enriqueceu mais ainda a obra ao nos mostrar o ponto de vista de cada envolvido.
Para fugir de alguém que o persegue, o bandido 1001 resolve armar seu último ganho: resolve sequestrar Betinho, e conseguir uma grana alta. Helena se vê em uma situação difícil, pois age como mãe tanto para o bandido, quanto para o amigo e então, a ilusão começa a passar e seu amor é posto á prova. A partir daí, todo "terror e êxtase" que sentia ao andar ao lado de 1001(ela diz em vários momentos que o medo que sente dele a excita) se transforma apenas em terror. Ela passa a ser refém, assim como o amigo e as cenas mais violentas acontecem após essa ruptura do romance.
Pesquisando, descobri que o livro teve uma adaptação cinematográfica em 1979, dirigida por Antonio Calmon, com os atores Denise Dumont, Roberto Bonfim, André de Biase, entre outros.

 Com um final repleto de ação, Carlinhos de Oliveira conseguiu exprimir o Rio de Janeiro dos anos 70, onde traficantes afundavam jovens em drogas, jovens que um dia deveriam comandar o país. É uma narrativa que faz pensar na cidade de 44 anos atrás, e na cidade de hoje. Termino parafraseando 1001, ao se explicar para Betinho ao final do livro: "Desculpe o mau jeito, garotão, mas guerra é guerra!" E não é assim que vivemos atualmente?

Ps: Na orelha do livro tem uma análise muito boa de Aguinaldo Silva, que diz que não importa que o livro tenha sido escrito há tanto tempo, é um romance do RJ de hoje, pois a cidade em que vivemos está inteirinha ali.

Ps 2: Imagina uma adaptação para os cinemas nos dias de hoje, seria bem interessante!

Beijos blogueiros, e até a próxima!


4 Comentarios

  1. Muito legal este livro ☺ amei o post #Adorei ♥

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  2. Ameeei a resenha . Esse livro é bem interessante !
    Ainda não li, mais tô curiosa pra ler ele.
    Bjs

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  3. Adorei a resenha do livro,mas o primeiro fotograma é do filme ''Paranóia'',outro clássico de Antonio Calmon.

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  4. Adorei a resenha do livro,mas o primeiro fotograma é do filme ''Paranóia'',outro clássico de Antonio Calmon.

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